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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Acordemos antes que o mundo acabe!

   Hoje eu assisti um filme lindo e emocionante. O Menino do Pijama Listrado. Meus filmes preferidos têm algum contexto histórico e este se passava durante a segunda guerra (me recuso a escrever com letras maiúsculas). Lógico que ver tudo aquilo que a gente sabe dessa guerra é muito triste. Pessoas sendo mortas de forma covarde, a cegueira de quem “só está cumprindo ordens para o bem de todos”, a inocência de algumas crianças sendo manipulada e a de outras sendo destruídas, enfim...
   É interessante notar o quanto ficamos horrorizados em saber que tudo o que Hitler fez tinha o apoio da maioria da população. Como ele conseguiu usar a mídia pra distorcer a realidade. Que 6 milhões de judeus foram mortos e poucas pessoas se compadeceram porque acreditavam que essas pessoas eram más.
    Daí eu fico me perguntando quando nós vamos perceber que isso continua acontecendo. Que o vilão atualmente não é mais o regime nazista, mas sim o culto ao dinheiro. Que a mesma mídia usada por Hitler pra satanizar os judeus hoje é usada pra esconder nossas chagas e nos iludir a respeito do conceito de felicidade. Nossa medida de felicidade é o nosso desempenho econômico. E só!
   E é por acreditar nisso que uma criança com menos de 5 anos morre a cada minuto porque não tem o que comer! Isso num planeta que produz o suficiente para alimentar 10 bilhões de pessoas, enquanto somos 7 bilhões de habitantes. É por acreditar nisso que existe 1 bilhão de pessoas vivem com menos de 1 dólar por dia e que 1,3 bilhão não tem acesso à serviços de saúde. Nós não nos achamos responsáveis por essa realidade. A culpa nunca é nossa porque nós trabalhamos direitinho, pagamos nossos impostos e não fazemos mal a ninguém. 

   Ter uma casa grande e muito bem mobiliada é mais importante do que trabalharmos para que todos tenham um lar simples e aconchegante. Ter sempre o carro mais chique é mais importante do que trabalharmos por um transporte coletivo, eficiente e sustentável. Aceitarmos comida condimentada e pré-preparada é mais cômodo do que resgatarmos o prazer de preparar e oferecer alimentos saudáveis aos nossos. Se formar numa boa faculdade e escolher o serviço que paga melhor é mais importante do que transformarmos nossa função em algo construtivo para o bem estar de todos.

   Desculpem-me os que dormem, mas o mundo precisa acordar! Já estamos no século XXI e tá mais do que na hora de construirmos
 um mundo legitimamente justo e pacífico onde a felicidade de 
todos seja a preocupação de cada um. Isso não é sonho. Não é utopia. É uma realidade em potencial!

Ps: estou publicando hj, mas escrevi há algum tempo como forma de desabafo às críticas irracionais ao programa Mais Médicos.


"Desde o começo do mundo
Que o homem sonha com a paz
Ela está dentro dele mesmo
Ele tem a paz e não sabe
"

Voar é preciso


A mágica do presente que se desembrulha
Nos trazendo surpresas
Faz as asas crescerem 

O vôo ainda é baixo e desengonçado 
Quando caio ou bato contra a parede 
Dói
E, às vezes, choro

Vou seguir um conselho...
Pegar emprestado um pedaço do vento
E colocar no peito

Talvez assim aprenda a voar com graça
Mesmo quando os ventos da vida
Me empurrarem pro centro do furacão

terça-feira, 11 de junho de 2013

Prefiro continuar...

Os lados têm algum problema?
A frente não é o mais importante
Dentro, sim!

Querer, não quero ficar
Mas também não posso sair
O jeito é trabalhar
Alternando tristezas e alegrias
Silêncio e voz
Choro e sinfonia
Repouso e movimento
Companhia e solidão.

Eu quero estrelas nos olhos
Flor nos cabelos
Pássaros aos ouvidos
E areia nos pés

Se o mundo é mais forte,
Que eu apenas tenha a delicadeza
De lhe sorrir
Para depois chorar

E, então, perdoar os erros que cometemos...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Com os meus olhos, a correta sou eu!

Absolutamente, todos nós somos intolerantes. Eu sou e você também é! Sejamos sinceros. Vivemos em grupo porque isso facilita a nossa sobrevivência. Aí nos dividimos em grupoS, cujos membros pensam e agem de forma semelhante, pois lidar com o diferente é difícil.
O que me fez refletir sobre esse assunto foi um filme alemão que assisti ontem, chamado A Onda, e a entrevista do Malafaia pra Marília Gabriela, que assisti, hoje, no youtube. No filme, o professor realiza uma experiência pedagógica para ensinar seus alunos sobre autocracia. Usando argumentos lógicos e persuasivos, sem esquecer de adotar uma postura firme ao falar, ele consegue unir seus alunos, padronizar seus comportamentos e ditar o que deve ou não ser feito. Apenas 2 alunas se recusam a participar desse processo e são excluídas e desrespeitadas em suas opiniões. Até que as coisas começam a fugir do controle e tomar proporções preocupantes. (Paro por aqui pra não estragar as descobertas de quem se interessou e irá assistir o filme)
Quanto ao Malafaia, ele está absolutamente correto. Dentro da lógica dele, é claro! Para ele as pessoas não nascem homossexuais e um casal de gays não tem condições de educar bem uma criança. Ele acredita em todas as passagens da bíblia e levá-la ao pé da letra o conduz a tal raciocínio.
Eu sou vegetariana e pra mim, quanto mais vegetariano no mundo melhor. Por observação, acredito que eles tem sentimentos (quem tem animal de estimação aí?). Pelo estudo da biologia, sei que eles têm sistema nervoso e sentem dor. Por um manifesto de 13 neurocientistas, sei que eles têm consciência. E pelo estudo de nossas fontes alimentares sei que podemos adquirir todas as proteínas que precisamos através das fontes vegetais. Então porque causar dor a um ser que  possui sentimentos? (Pra não me alongar e não perder o foco desse post, vegetarianismo será um outro texto hehe)
Ganhar adeptos pra sua filosofia, ideologia, religião e etc. pode ser maravilhoso ou destruidor! Cada um construirá o ambiente mais fértil para que seus argumentos floresçam em lógica. Se as ideias e ações produzirem benefícios, ótimo! Destruidor será quando os pensamentos e atitudes forem maléficos disfarçados de benéficos. E como vamos saber se estamos certos ou errados, se somos seres essencialmente egoístas e este sentimento é o principal responsável pela nossa cegueira moral?
Não sei se estou certa, mas tenho uma ideia. Em todas as situações façamos força (em alguns casos, põe força nisso hehe) pra nos colocarmos no lugar do outro. Só consigo pensar neste exercício diário como colírio eficaz dos nossos olhos.
Acho que quando isso acontecer, seremos um único e grande grupo!

Pra terminar curtam essa música do Teatro Mágico que tem a ver com o post de hoje e dá nome ao meu blog =D


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Infelizmente, é mais legal fora da escola


Ainda me lembro da emoção que senti quando aprendi a juntar letras e ler as palavras que estavam no meu livrinho didático da pré-escola. Eu tinha 5 anos quando isso aconteceu. Em seguida eu já conseguia ler frases, depois parágrafos e só. A euforia de ter aprendido a ler tinha acabado. Era difícil as palavras fazerem sentido e formarem ideias na minha cabeça.
Quando criança não fui incentivada a ler. Este ato virou uma obrigação de estudo e esta era sua única finalidade. Logo, tornou-se uma atividade absolutamente desinteressante. Isto teve um efeito nocivo na  minha vida escolar, porque sem o desenvolvimento da interpretação todo processo de aprendizagem não surtia efeito. Eu não pensava. Decorar era a solução e o único meio de passar nas provas. Nunca fiquei de recuperação.
O ensino brasileiro é um grande jogo de Tudo o que seu Mestre Mandar. A grande maioria dos meus professores chegavam na sala de aula, escreviam no quadro, nós copiávamos, às vezes explicavam o assunto (na verdade repetiam o que tava escrito no livro). A formulação das perguntas dos "exercícios de fixação" tinham uma estrutura que nos faziam transcrever as frases dos textos. Não, não era necessário refletir sobre nada. Pra finalizar esse ritual de "aprendizado" fazíamos uma prova que era praticamente uma cópia desses exercícios.
A fase mais angustiante da minha vida de estudante foram os meus 5 anos de vestibular. As primeiras reprovações foram me dando os sinais do grande engodo que eu vivera até ali. Melhorei significativamente minha capacidade de raciocínio e interpretação por necessidade. Não foi nada fácil perceber que eu não tinha aprendido nem metade do que deveria, apesar das minhas boas notas. Foi frustante. E ainda assim eu continuava brincando de Tudo o que o seu Mestre Mandar, pois embora tivesse escolhido um curso de saúde tinha que saber "tudo" de física, matemática, história, geografia...
Nas minhas 2 últimas tentativas fiz aula particular de redação com uma Professora que foi tão responsável pela minha aprovação em medicina quanto a minha família. Olá leitura e raciocínio crítico, muito prazer! Hoje faço uma faculdade, cujo método de ensino, na minha opinião, seria a salvação de todo o sistema educacional brasileiro. No Aprendizado Baseado em Problemas nós correlacionamos o conhecimento com a prática, somos estimulados ao autodidatismo e desenvolvemos nossa habilidade de comunicação e trabalho em grupo.
Mas e o livros literários? Aqueles que dizem ser prazerosos e nos tornar pessoas melhores. Ah, esses eu descobri fora da escola também. Não sou mais obrigada a ler Machado de Assis, Clarice Lispector, Gonçalves Dias e outros apenas para passar nas provas bimestrais ou no vestibular. Ao contrário do que aconteceu quando eu era criança, além de conseguir juntar as letras, hoje o conjunto de palavras me transmite uma ideia. Se os livros didáticos aprimoram nossa inteligência, os literários desenvolvem nossos sentimentos.
É redundante dizer que essa descoberta deve acontecer dentro do ambiente escolar. Mas, infelizmente, ler é muito mais legal fora do colégio. Como eu não quero ser uma médica apenas do corpo, decidi manter o hábito da leitura. Não importa o quão pesado esteja o meu curso, eu farei uma forcinha para ler todos os dias.


Ofereço esse post pra minha querida e eterna professora Arlete Oliveira e peço que vocês ouçam essa música sensacional do Gabriel o pensador.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Adoro mudar de ideia!


Adoro mudar de ideia!


Na época de pré-vestibulanda eu sonhava em me especializar em neurologia. Isto devido ao meu fascínio pelo Sistema Nervoso/mente do ser humano. Imaginava-me percorrendo os corredores de um grande hospital vestindo o meu tão sonhado jaleco branco.
Até que o primeiro ano começou hehe... Logo no primeiro módulo (minha faculdade adota o sistema PBL, sigla em inglês que significa Aprendizado Baseado em Problemas, nosso ano letivo é dividido em módulos de 6 semanas cada e não em semestres) conheci a história do SUS e no sétimo módulo conheci os programas de ação do SUS. Na minha faculdade também fazemos uma espécie de estágio do 1º ao 3º ano. Toda quarta-feira, um grupo de 6 alunos vai para um posto de saúde acompanhar o atendimento do Médico de Família.
Medicina da Família é uma especialidade nova e apaixonante! Especialistas dessa área cuidam de: gestantes, crianças, idosos, deficientes, dependentes químicos, hipertensos, diabéticos, portadores das mais variadas doenças infecciosas e o que mais aparecer hehe... Tudo isso no posto de saúde. Claro que se o caso exigir, o paciente será encaminhado pra um especialista num centro de referência. Estranho cuidar de tanta coisa num simples posto de saúde né? Mas, 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos na Atenção Básica! 

Bom, e por que temos tantos problemas no atendimento público?
Sim, tem a corrupção que desvia verbas. Mas eu não vou cantar esse mantra e colocá-la como uma causa distante e difícil de ser resolvida.

Como estudante, vejo a resistência dos meus colegas em trabalhar numa área mais generalista (médico da família, por exemplo). Nossa geração cresceu aprendendo que médico é aquele cara todo de branco dentro do hospital. O médico da família está no posto, na rua, na escola, e na casa das pessoas da área onde ele atende. Enfim, ele trocou o jaleco pelo par de tênis e foi levar saúde pra fora das paredes do hospital. Se houverem poucos médicos generalistas e muitos especialistas, os 80% de problemas que poderiam ser resolvidos no posto vão lotar o hospital e voi lá... Caos!

Ser neurologista? Cuidar das sequelas de um AVC.
Ser cardiologista? Cuidar das sequelas de um infarto.
Ser nefrologista? Cuidar de insuficiência renal.
Mais de 60% da população mundial (e 70% da brasileira) está morrendo por consequência da hipertensão e do diabetes! Infarto, AVC, cegueira, insuficiência renal, amputação de membros, infecções, câncer... Tudo isso porque nos empurraram um estilo de vida no qual não nos exercitamos e não comemos bem! Sim, todos esses problemas têm origem apenas nesses dois itens.

Então, na minha opinião, ser especialista, hoje em dia, é enxugar gelo. Vamos valorizar mais a Atenção "Básica". Quando a maioria da população puder viver de forma saudável e a maior causa de mortes forem decorrentes do aumento da perspectiva de vida, aí a gente volta a glorificar o especialista.