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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Adoro mudar de ideia!


Adoro mudar de ideia!


Na época de pré-vestibulanda eu sonhava em me especializar em neurologia. Isto devido ao meu fascínio pelo Sistema Nervoso/mente do ser humano. Imaginava-me percorrendo os corredores de um grande hospital vestindo o meu tão sonhado jaleco branco.
Até que o primeiro ano começou hehe... Logo no primeiro módulo (minha faculdade adota o sistema PBL, sigla em inglês que significa Aprendizado Baseado em Problemas, nosso ano letivo é dividido em módulos de 6 semanas cada e não em semestres) conheci a história do SUS e no sétimo módulo conheci os programas de ação do SUS. Na minha faculdade também fazemos uma espécie de estágio do 1º ao 3º ano. Toda quarta-feira, um grupo de 6 alunos vai para um posto de saúde acompanhar o atendimento do Médico de Família.
Medicina da Família é uma especialidade nova e apaixonante! Especialistas dessa área cuidam de: gestantes, crianças, idosos, deficientes, dependentes químicos, hipertensos, diabéticos, portadores das mais variadas doenças infecciosas e o que mais aparecer hehe... Tudo isso no posto de saúde. Claro que se o caso exigir, o paciente será encaminhado pra um especialista num centro de referência. Estranho cuidar de tanta coisa num simples posto de saúde né? Mas, 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos na Atenção Básica! 

Bom, e por que temos tantos problemas no atendimento público?
Sim, tem a corrupção que desvia verbas. Mas eu não vou cantar esse mantra e colocá-la como uma causa distante e difícil de ser resolvida.

Como estudante, vejo a resistência dos meus colegas em trabalhar numa área mais generalista (médico da família, por exemplo). Nossa geração cresceu aprendendo que médico é aquele cara todo de branco dentro do hospital. O médico da família está no posto, na rua, na escola, e na casa das pessoas da área onde ele atende. Enfim, ele trocou o jaleco pelo par de tênis e foi levar saúde pra fora das paredes do hospital. Se houverem poucos médicos generalistas e muitos especialistas, os 80% de problemas que poderiam ser resolvidos no posto vão lotar o hospital e voi lá... Caos!

Ser neurologista? Cuidar das sequelas de um AVC.
Ser cardiologista? Cuidar das sequelas de um infarto.
Ser nefrologista? Cuidar de insuficiência renal.
Mais de 60% da população mundial (e 70% da brasileira) está morrendo por consequência da hipertensão e do diabetes! Infarto, AVC, cegueira, insuficiência renal, amputação de membros, infecções, câncer... Tudo isso porque nos empurraram um estilo de vida no qual não nos exercitamos e não comemos bem! Sim, todos esses problemas têm origem apenas nesses dois itens.

Então, na minha opinião, ser especialista, hoje em dia, é enxugar gelo. Vamos valorizar mais a Atenção "Básica". Quando a maioria da população puder viver de forma saudável e a maior causa de mortes forem decorrentes do aumento da perspectiva de vida, aí a gente volta a glorificar o especialista.